Como usar IA sem parecer genérico nos seus textos

Ana Bueno
Ana Bueno · 15 de set. de 2026 · 4 min de leitura
imagem de um livro com uma florzinha repousnd em cima

Como usar IA sem parecer genérico virou uma pergunta prática, não estética. Abre o celular, rola cinco minutos: os sites têm o mesmo layout, os artigos têm o mesmo tom professoral, os carrosséis têm a mesma estrutura. Está tudo com a mesma cara.

Eu uso inteligência artificial quase todo dia no meu trabalho e gosto dela. É justamente por isso que esse cansaço me incomoda. Não é a ferramenta que apaga a personalidade das marcas, é o jeito como a gente pede.

Por que sai tudo igual

O pedido mais comum do mundo é algum parente de "me dá 30 ideias de post para o meu nicho" ou "escreve uma legenda explicando o meu serviço".

A resposta vem rápida, correta e idêntica à que a mesma ferramenta deu para outra pessoa que perguntou a mesma coisa hoje de manhã. Não porque ela seja preguiçosa, mas porque um pedido sem contexto só pode ser respondido com a média. E a média é, por definição, o genérico.

Tem um segundo motivo, menos falado: quando a gente pede o texto pronto, a gente pula a parte de pensar. O texto sai rápido, mas não passou por você. Depois dá aquela sensação estranha de ler a própria publicação e não se reconhecer nela.

O que a ferramenta precisa saber antes

A diferença entre um resultado médio e um resultado que parece seu está quase toda no que vem antes do pedido.

Vale escrever uma vez, com calma, e guardar num arquivo que você cola sempre:

Quem você é e como você chegou aqui. A história real, com os erros e acertos do caminho, não a versão de currículo.

Quem você atende e o que essa pessoa já tentou antes de te procurar.

O que você não faz e não aceita. Isso define mais a sua marca do que a lista do que você faz.

Como você fala. Se você usa "a gente" ou "nós", se você faz pergunta no meio do texto, o que você acha brega, o que você nunca escreveria.

Três ou quatro textos seus que você acha que ficaram com a sua cara.

Com isso na mão, o pedido muda de natureza. Em vez de "escreve um post sobre preço", vira "com base nesse material, me ajuda a estruturar o que eu quero dizer sobre preço, mantendo o meu jeito".

Um jeito melhor de pedir

Na prática, o que funciona para mim é inverter a ordem: eu falo primeiro, a ferramenta organiza depois.

Eu despejo o que penso sobre o assunto, sem me preocupar com forma. Áudio transcrito serve. Anotação bagunçada serve.

Peço para organizar em estrutura, não em texto final. O que vem primeiro, o que sustenta, o que fecha.

Peço três abordagens diferentes para a mesma ideia e escolho uma. Escolher é um ato autoral e ninguém faz por você.

Escrevo a versão final por cima. Aqui entram as palavras que só eu uso, a história que só eu vivi, a piada que eu faria.

E no fim leio em voz alta. Se soar como uma apresentação de palco, está errado. Se soar como você explicando para alguém que você gosta, está certo.

Tem um texto aqui sobre usar o ChatGPT para organizar ideias que detalha essa parte de organizar em vez de pedir pronto.

Sinais de que ficou genérico

Alguns marcadores que eu uso para cortar antes de publicar.

Frases que servem para qualquer negócio. Se trocar o seu nome pelo de outra pessoa e continuar fazendo sentido, não é seu.

Adjetivo empilhado. "Solução completa, inovadora e transformadora" não diz nada.

Abertura que não é sua. Aquela pergunta retórica genérica com que metade da internet começa.

Zero história. Texto sem nenhum exemplo concreto de algo que aconteceu de verdade costuma ser texto sem autoria.

Certeza demais. A ferramenta escreve com uma confiança que a gente raramente tem na vida real. Onde você tem dúvida, vale dizer que tem.

O limite, no fim das contas

Não terceirize duas coisas: o que você pensa e como você fala.

Tudo em volta disso pode ser ajudado. Estrutura, revisão, versão curta de um texto longo, organização das anotações, a burocracia que come o seu dia. Essa parte a tecnologia faz bem e libera tempo de verdade.

Mas o critério é seu. O que você acha bonito, o que você recusa, como você trata quem chega até você: isso não está em base de dados nenhuma, está na sua história.

Se quiser trabalhar essa voz com calma, temos uma trilha toda sobre isso na comunidade.

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Ana Bueno

Ana Bueno

Empreendedora e fundadora da Comunidade Supernova. Dezessete anos de estratégia no corporativo antes de atravessar para o empreender.

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