Como divulgar meu artesanato depois do fim do Elo7

Se você está se perguntando como divulgar meu artesanato agora que o Elo7 fechou, este texto é para você. Ele fala com quem faz cerâmica, bordado, joia, papelaria, marcenaria, tecelagem e tantas outras peças feitas à mão, e que de uma semana para outra perdeu a vitrine onde boa parte das vendas acontecia. A proposta aqui não é trocar uma vitrine por outra correndo. É entender o que aconteceu, separar o que você controla do que não controla e montar um jeito de ser encontrado que não dependa de uma plataforma só.
O que aconteceu com o Elo7, e por quê?
Em maio de 2026, o conselho da Enjoei, dona do Elo7 desde 2023, aprovou o encerramento das operações do marketplace. Segundo a reportagem da Jovem Pan, a empresa atribuiu a decisão à forte expansão das grandes plataformas internacionais de comércio eletrônico, que fez subir muito o custo de conquistar cada cliente. A mesma reportagem registra uma queda de 39,5% na receita líquida do Elo7 no último trimestre de 2025, na comparação com o mesmo período de 2024. Os pedidos em andamento seriam concluídos e os repasses a quem vendia, pagos normalmente.
Vale olhar para esse dado com calma. Ele não diz que artesanato vende menos. Diz que ficou caro para uma plataforma de nicho comprar a atenção de quem compra, disputando com empresas gigantes. Esse custo existe para todo mundo, inclusive para você. A diferença é que você não precisa ganhar a atenção do país inteiro, só a de quem combina com o seu trabalho.
Quanto isso pesou para quem vende peça feita à mão?
Pesou muito para algumas pessoas. Mileide Gomes, artesã em Belo Horizonte há 20 anos, contou ao Diário do Comércio que "cerca de 80% da renda de muitas pessoas que eu acompanhava pelas redes sociais vinha do Elo7" e que, sem isso, "muitos terão que começar do zero".
Ao mesmo tempo, a internet já era o principal caminho de venda para boa parte de quem faz artesanato. Uma pesquisa do Sebrae com a FGV, divulgada em 2022 pela Agência Sebrae, mostrou que 84% dos artesãos empreendedores usavam redes sociais, aplicativos e internet para vender, principalmente WhatsApp Business (83%), Instagram (67%) e Facebook (56%). A pesquisa foi feita no período da pandemia e não separa quem vendia por marketplace. Mesmo com essa ressalva, o desenho é claro: a conversa direta e o perfil próprio já eram canais fortes antes do fim do Elo7.
Ou seja, para muita gente o problema não é começar do zero na internet. É reorganizar onde cada coisa acontece.
Como divulgar meu artesanato sem depender de uma vitrine só?
Pense em três camadas, que se completam. Cada uma tem uma função diferente, e o erro mais comum é esperar que uma só faça tudo.
1. Um lugar onde a venda acontece
Pode ser outro marketplace, uma loja própria ou a conversa direta. O DCI listou alternativas que surgiram para quem saiu do Elo7: as seções de feito à mão da Shopee e do Mercado Livre, lojas próprias em plataformas como Nuvemshop ou Loja Integrada, o Instagram Shopping, a Tanlup e, para quem quer vender fora do Brasil, a Etsy.
Não existe escolha certa para todo mundo. Antes de decidir, vale responder três perguntas:
- Quanto custa de verdade? Some comissão, tarifa por venda, frete subsidiado e o tempo que você gasta atendendo.
- Quem é dono do cliente? Em alguns lugares você recebe nome e contato de quem comprou; em outros, não.
- Se as regras mudarem amanhã, o que você leva junto? Avaliações, fotos, descrições, histórico.
2. Um lugar onde as pessoas te conhecem
Esse é o que não pode fechar de uma hora para outra: o seu perfil, a sua lista de contatos, o seu nome. É onde a pessoa vê o processo, entende o valor da peça e volta quando precisar de um presente.
Uma lista de clientes com nome e contato, guardada com autorização deles, vale mais do que muitos seguidores, porque não depende de algoritmo. Se hoje essa lista não existe, comece pelo próximo pedido: pergunte se a pessoa quer receber aviso quando sair peça nova.
3. Um lugar onde quem procura te acha
Muita gente procura peça feita à mão perto de casa, ou de quem tem um estilo específico. Estar em diretórios e buscadores, com descrição clara do que você faz e de onde você é, ajuda a ser encontrado por quem nunca te viu. No Portal Somos Todos Um, por exemplo, profissionais de arte e criação aparecem por área e por cidade.
O que mostrar no Instagram quando a peça é feita à mão?
A peça pronta é estática. O processo não. O torno girando, a esmaltação, o forno abrindo, a linha passando pelo bastidor: isso é movimento, e movimento prende atenção. Mostrar o fazer também ajuda a explicar o preço sem precisar justificar nada.
Algumas ideias que respeitam o seu tempo de ateliê:
- grave alguns segundos do processo enquanto trabalha, sem roteiro elaborado;
- conte a história de uma peça: de onde veio a ideia e o que deu errado no caminho;
- mostre o material antes e depois, do barro cru à peça queimada, do fio à trama;
- responda as perguntas que os clientes sempre fazem, como prazo, cuidado e encomenda;
- mostre a embalagem e o envio, que dizem muito sobre o cuidado com quem compra.
Se travar na hora de montar o vídeo, o texto sobre roteiro para Reels traz uma estrutura em quatro partes que cabe num bloco de notas.
Um cuidado: mostrar o processo não é entregar o molde. Dá para mostrar as mãos trabalhando sem revelar o passo a passo que levou anos para você acertar.
E o preço, como fica fora do marketplace?
No marketplace, a peça aparecia ao lado de dezenas de outras, e a comparação era quase só pelo valor. Fora dele, você tem a chance de contar o que está por trás do número: as horas de trabalho, o material, as tentativas que não deram certo. Isso não é justificar o preço, é dar contexto. Quem entende o processo costuma entender o valor, e quem só procura o mais barato provavelmente não era o seu cliente no marketplace também.
Um passo a passo para as próximas quatro semanas
Para não tentar resolver tudo de uma vez:
- Semana 1: avise quem já comprou de você onde encontrar suas peças agora. Uma mensagem simples, sem pressão.
- Semana 2: escolha um canal de venda principal e um de apoio. Só dois.
- Semana 3: revise a descrição do seu perfil para dizer em uma linha o que você faz, de onde você é e como encomendar.
- Semana 4: publique três conteúdos de processo e veja qual gera mais conversa.
No fim do mês, olhe de onde vieram as vendas e ajuste. Feito à mão também vale para o plano.
Perguntas frequentes
Vale a pena ir para outro marketplace depois do Elo7?
Pode valer, como um dos canais. O ponto é não colocar todas as vendas num lugar que você não controla. Use o marketplace para vender e mantenha o contato de quem compra com você.
Preciso de loja virtual própria?
Não é obrigatório. Muita gente vende bem pela conversa direta e por encomenda. A loja própria ajuda quando o volume cresce e você quer menos troca de mensagens para cada pedido.
O que fazer com os clientes que eu tinha no Elo7?
Se você tem o contato de quem já comprou, avise com uma mensagem simples onde encontrar suas peças agora. Sem promoção forçada, só para a pessoa saber o caminho.
Preciso postar todo dia para vender artesanato?
Não. Um ritmo que você consegue manter sem tirar horas do ateliê funciona melhor do que uma semana intensa seguida de silêncio. Para pensar o que postar, vale ler o que postar no Instagram profissional.
Se você vendia pelo Elo7, me conta como está sendo a mudança. E se quiser companhia para montar esse caminho, temos uma trilha toda sobre isso na comunidade.
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Empreendedora e fundadora da Comunidade Supernova. Dezessete anos de estratégia no corporativo antes de atravessar para o empreender.





