Regras de marketing para psicólogos: o que o código permite

Ana Bueno
Ana Bueno · 26 de out. de 2026 · 7 min de leitura
EmpreenderPsicologia7 min de leitura
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Se você atende em psicologia e trava antes de postar porque não sabe direito o que pode, este texto é para pensar aqui comigo. Vou passar pelas regras de marketing para psicólogos que estão em dois documentos oficiais do Conselho Federal de Psicologia: o Código de Ética Profissional e a Nota Técnica sobre uso profissional das redes sociais. Explico o que cada regra protege e mostro onde existe bastante espaço para comunicar com calma.

Antes de tudo, um aviso honesto: eu não sou psicóloga nem conselheira. O que faço aqui é ler as fontes oficiais com você e organizar. Na dúvida sobre um caso concreto, a orientação do Conselho Regional de Psicologia da sua região é sempre a palavra final.

Quais documentos oficiais valem para a publicidade

São dois os documentos centrais, e os dois são do Conselho Federal de Psicologia (CFP):

  • O [Código de Ética Profissional do Psicólogo](https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2012/07/codigo-de-etica-psicologia.pdf), a Resolução CFP nº 10 de 2005. O artigo 20 trata de quem vai "promover publicamente seus serviços, por quaisquer meios".
  • A [Nota Técnica CFP nº 1/2022](https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2022/06/SEI_CFP-0612475-Nota-Tecnica.pdf), sobre uso profissional das redes sociais, publicidade e cuidados éticos, publicada em 21 de junho de 2022. Ela aplica o código ao Instagram, ao site e às plataformas, e cita também o Código de Defesa do Consumidor e a Lei Geral de Proteção de Dados.

Quando o CFP divulgou a Nota, a presidente do Conselho explicou que o documento "aborda sobretudo o advento das redes sociais como recurso de divulgação do exercício profissional" (CFP, 22/06/2022). Ou seja, não é uma regra nova contra comunicar. É um guia para comunicar com ética.

O que diz o artigo 20 do Código de Ética

O artigo 20 tem oito pontos. Quem divulga os próprios serviços:

  1. Informa nome completo, a palavra CRP e o número de registro.
  2. Cita apenas títulos ou qualificações profissionais que possui.
  3. Divulga somente técnicas e práticas reconhecidas ou regulamentadas pela profissão.
  4. Não utiliza o preço do serviço como forma de propaganda.
  5. Não faz previsão taxativa de resultados.
  6. Não faz autopromoção em detrimento de outros profissionais.
  7. Não propõe atividades que sejam atribuições privativas de outras categorias.
  8. Não faz divulgação sensacionalista das atividades profissionais.

Repara que nenhum desses itens fala de formato. Não existe regra contra Reels, carrossel, stories ou blog. As regras falam do conteúdo e da postura.

O que a Nota Técnica do CFP detalha

A Nota Técnica pega esses oito pontos e responde às dúvidas mais comuns das redes sociais. Separei as que mais aparecem.

O que você pode destacar

A Nota começa pelo que é permitido, e isso já tira um peso. Segundo o CFP, é possível destacar na publicidade "sua formação, o público que atendem, a abordagem teórica que utilizam, sua metodologia de trabalho", entre outras questões técnicas que caracterizam a atuação. A Nota também lembra que cada profissional tem autonomia para escolher em quais redes e plataformas vai divulgar o trabalho.

Nome, CRP, apelido e logomarca

É obrigatório informar o nome completo ou o nome social, a palavra "psicóloga" ou "psicólogo", o CRP e o número de registro. Apelidos são permitidos, desde que esses dados apareçam. A logomarca e as artes do perfil também são permitidas, desde que vinculadas ao nome e ao registro.

Preço, desconto, cupom e sorteio

A Nota orienta que o preço não seja usado como propaganda e pede que se evitem termos como "preço social, atendimento social, desconto, pacote promocional, valor acessível" e outros que façam referência a vantagem financeira. Cupons promocionais e sorteios não são permitidos. Já a divulgação de convênios com instituições, universidades e clínicas é permitida.

Sobre trabalho voluntário, a Nota diz que divulgar não é proibido, mas que só deve ser oferecido quando houver garantia de continuidade e qualidade, e que é inadequado usar o atendimento voluntário para captar clientes.

Depoimentos e fotos de quem você atende

Aqui a Nota é cuidadosa. Ela diz que a publicidade não pode usar diagnóstico, análise de caso ou orientação que identifique a pessoa atendida. Sobre depoimentos, a regra geral é não usar. Com consentimento expresso e por escrito, o uso de fotos e depoimentos é "permitido, mas não recomendado", por causa do risco de expor a pessoa atendida, em especial crianças e adolescentes.

Perfil pessoal também conta

A Nota recomenda cuidado quando a publicidade profissional é feita no perfil pessoal, para não haver confusão nas informações. E lembra algo que vale para qualquer post: o que é publicado fica registrado, alcança mais gente do que a gente imagina e pode circular por muito tempo.

Agência, plataforma e quem faz o seu marketing

Mesmo quando o conteúdo é feito por uma agência, uma plataforma de atendimento online ou um profissional de marketing, a responsabilidade de conferir se ele segue a ética continua sendo de quem é psicóloga ou psicólogo. Vale ter isso em mente antes de aprovar uma legenda pronta.

Práticas fora da psicologia

A Nota orienta que práticas em desacordo com a ética profissional fiquem "evidentemente separadas" dos serviços de psicologia, inclusive na divulgação, para não levar o público a entender a profissão de forma equivocada.

Então, o que dá para postar?

Bastante coisa. E a maior parte é justamente o que um resumo de IA não consegue fazer por você.

  • Explicar como funciona o atendimento. Duração, frequência, online ou presencial, o que acontece na primeira conversa. Isso tira medo de quem nunca fez terapia.
  • Traduzir conceitos da psicologia com responsabilidade. O artigo 19 do código pede que as informações divulgadas tratem das atribuições, da base científica e do papel social da profissão. Profundidade é o que diferencia.
  • Mostrar seu jeito de trabalhar. Abordagem, formação, o público que você atende, sempre com os títulos que você tem de fato.
  • Responder dúvidas que chegam no primeiro contato. Sem expor ninguém, as perguntas que se repetem viram ótimos posts.

Se você está montando os assuntos que vai repetir com frequência, o texto sobre pilares de conteúdo ajuda a transformar essa lista em poucos territórios fixos. E se a pergunta for de ritmo, escrevi sobre quantas vezes postar no Instagram.

Um checklist rápido antes de publicar

Eu gosto de checklist curto, que dá para fazer em um minuto:

  1. O nome completo, a palavra "psicóloga" ou "psicólogo" e o CRP estão visíveis no perfil?
  2. Os títulos citados são todos meus, com certificado?
  3. O preço, o desconto ou a gratuidade aparecem como chamariz?
  4. Alguma frase promete resultado, prazo ou cura?
  5. Existe qualquer elemento que permita reconhecer alguém que atendi?
  6. A legenda tenta assustar para vender?
  7. Se alguém fez esse post por mim, eu conferi antes de publicar?

Se todas as respostas forem tranquilas, pode postar. Se uma travar, ajusta a frase ou pergunta ao seu conselho regional.

Testa usar esse checklist por um mês e me conta se a ansiedade antes de postar diminuiu.

Perguntas frequentes

Psicólogo pode divulgar o valor da sessão no Instagram?

A Nota Técnica do CFP orienta que o preço não seja usado como propaganda, e pede para evitar termos como desconto, pacote promocional e valor acessível. A mesma Nota permite divulgar convênios com instituições, universidades e clínicas.

Posso postar depoimento de paciente se ele autorizar?

Segundo a Nota Técnica, com consentimento expresso e por escrito, o uso de depoimentos e fotos é permitido, mas não recomendado, pelo risco de expor a pessoa atendida. Na prática, o caminho mais seguro é não usar.

Posso fazer sorteio ou cupom para atrair pacientes?

Não. A Nota Técnica do CFP diz que não é permitido o uso de cupons promocionais e sorteios na divulgação de serviços psicológicos.

Posso usar um apelido ou uma logomarca no perfil?

Pode. A Nota permite apelidos e logomarcas, desde que o perfil mostre o nome completo ou nome social, a palavra "psicóloga" ou "psicólogo", o CRP e o número de registro.


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Ana Bueno

Ana Bueno

Empreendedora e fundadora da Comunidade Supernova. Dezessete anos de estratégia no corporativo antes de atravessar para o empreender.

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