Regras de marketing para psicólogos: o que o código permite

Se você atende em psicologia e trava antes de postar porque não sabe direito o que pode, este texto é para pensar aqui comigo. Vou passar pelas regras de marketing para psicólogos que estão em dois documentos oficiais do Conselho Federal de Psicologia: o Código de Ética Profissional e a Nota Técnica sobre uso profissional das redes sociais. Explico o que cada regra protege e mostro onde existe bastante espaço para comunicar com calma.
Antes de tudo, um aviso honesto: eu não sou psicóloga nem conselheira. O que faço aqui é ler as fontes oficiais com você e organizar. Na dúvida sobre um caso concreto, a orientação do Conselho Regional de Psicologia da sua região é sempre a palavra final.
Quais documentos oficiais valem para a publicidade
São dois os documentos centrais, e os dois são do Conselho Federal de Psicologia (CFP):
- O [Código de Ética Profissional do Psicólogo](https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2012/07/codigo-de-etica-psicologia.pdf), a Resolução CFP nº 10 de 2005. O artigo 20 trata de quem vai "promover publicamente seus serviços, por quaisquer meios".
- A [Nota Técnica CFP nº 1/2022](https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2022/06/SEI_CFP-0612475-Nota-Tecnica.pdf), sobre uso profissional das redes sociais, publicidade e cuidados éticos, publicada em 21 de junho de 2022. Ela aplica o código ao Instagram, ao site e às plataformas, e cita também o Código de Defesa do Consumidor e a Lei Geral de Proteção de Dados.
Quando o CFP divulgou a Nota, a presidente do Conselho explicou que o documento "aborda sobretudo o advento das redes sociais como recurso de divulgação do exercício profissional" (CFP, 22/06/2022). Ou seja, não é uma regra nova contra comunicar. É um guia para comunicar com ética.
O que diz o artigo 20 do Código de Ética
O artigo 20 tem oito pontos. Quem divulga os próprios serviços:
- Informa nome completo, a palavra CRP e o número de registro.
- Cita apenas títulos ou qualificações profissionais que possui.
- Divulga somente técnicas e práticas reconhecidas ou regulamentadas pela profissão.
- Não utiliza o preço do serviço como forma de propaganda.
- Não faz previsão taxativa de resultados.
- Não faz autopromoção em detrimento de outros profissionais.
- Não propõe atividades que sejam atribuições privativas de outras categorias.
- Não faz divulgação sensacionalista das atividades profissionais.
Repara que nenhum desses itens fala de formato. Não existe regra contra Reels, carrossel, stories ou blog. As regras falam do conteúdo e da postura.
O que a Nota Técnica do CFP detalha
A Nota Técnica pega esses oito pontos e responde às dúvidas mais comuns das redes sociais. Separei as que mais aparecem.
O que você pode destacar
A Nota começa pelo que é permitido, e isso já tira um peso. Segundo o CFP, é possível destacar na publicidade "sua formação, o público que atendem, a abordagem teórica que utilizam, sua metodologia de trabalho", entre outras questões técnicas que caracterizam a atuação. A Nota também lembra que cada profissional tem autonomia para escolher em quais redes e plataformas vai divulgar o trabalho.
Nome, CRP, apelido e logomarca
É obrigatório informar o nome completo ou o nome social, a palavra "psicóloga" ou "psicólogo", o CRP e o número de registro. Apelidos são permitidos, desde que esses dados apareçam. A logomarca e as artes do perfil também são permitidas, desde que vinculadas ao nome e ao registro.
Preço, desconto, cupom e sorteio
A Nota orienta que o preço não seja usado como propaganda e pede que se evitem termos como "preço social, atendimento social, desconto, pacote promocional, valor acessível" e outros que façam referência a vantagem financeira. Cupons promocionais e sorteios não são permitidos. Já a divulgação de convênios com instituições, universidades e clínicas é permitida.
Sobre trabalho voluntário, a Nota diz que divulgar não é proibido, mas que só deve ser oferecido quando houver garantia de continuidade e qualidade, e que é inadequado usar o atendimento voluntário para captar clientes.
Depoimentos e fotos de quem você atende
Aqui a Nota é cuidadosa. Ela diz que a publicidade não pode usar diagnóstico, análise de caso ou orientação que identifique a pessoa atendida. Sobre depoimentos, a regra geral é não usar. Com consentimento expresso e por escrito, o uso de fotos e depoimentos é "permitido, mas não recomendado", por causa do risco de expor a pessoa atendida, em especial crianças e adolescentes.
Perfil pessoal também conta
A Nota recomenda cuidado quando a publicidade profissional é feita no perfil pessoal, para não haver confusão nas informações. E lembra algo que vale para qualquer post: o que é publicado fica registrado, alcança mais gente do que a gente imagina e pode circular por muito tempo.
Agência, plataforma e quem faz o seu marketing
Mesmo quando o conteúdo é feito por uma agência, uma plataforma de atendimento online ou um profissional de marketing, a responsabilidade de conferir se ele segue a ética continua sendo de quem é psicóloga ou psicólogo. Vale ter isso em mente antes de aprovar uma legenda pronta.
Práticas fora da psicologia
A Nota orienta que práticas em desacordo com a ética profissional fiquem "evidentemente separadas" dos serviços de psicologia, inclusive na divulgação, para não levar o público a entender a profissão de forma equivocada.
Então, o que dá para postar?
Bastante coisa. E a maior parte é justamente o que um resumo de IA não consegue fazer por você.
- Explicar como funciona o atendimento. Duração, frequência, online ou presencial, o que acontece na primeira conversa. Isso tira medo de quem nunca fez terapia.
- Traduzir conceitos da psicologia com responsabilidade. O artigo 19 do código pede que as informações divulgadas tratem das atribuições, da base científica e do papel social da profissão. Profundidade é o que diferencia.
- Mostrar seu jeito de trabalhar. Abordagem, formação, o público que você atende, sempre com os títulos que você tem de fato.
- Responder dúvidas que chegam no primeiro contato. Sem expor ninguém, as perguntas que se repetem viram ótimos posts.
Se você está montando os assuntos que vai repetir com frequência, o texto sobre pilares de conteúdo ajuda a transformar essa lista em poucos territórios fixos. E se a pergunta for de ritmo, escrevi sobre quantas vezes postar no Instagram.
Um checklist rápido antes de publicar
Eu gosto de checklist curto, que dá para fazer em um minuto:
- O nome completo, a palavra "psicóloga" ou "psicólogo" e o CRP estão visíveis no perfil?
- Os títulos citados são todos meus, com certificado?
- O preço, o desconto ou a gratuidade aparecem como chamariz?
- Alguma frase promete resultado, prazo ou cura?
- Existe qualquer elemento que permita reconhecer alguém que atendi?
- A legenda tenta assustar para vender?
- Se alguém fez esse post por mim, eu conferi antes de publicar?
Se todas as respostas forem tranquilas, pode postar. Se uma travar, ajusta a frase ou pergunta ao seu conselho regional.
Testa usar esse checklist por um mês e me conta se a ansiedade antes de postar diminuiu.
Perguntas frequentes
Psicólogo pode divulgar o valor da sessão no Instagram?
A Nota Técnica do CFP orienta que o preço não seja usado como propaganda, e pede para evitar termos como desconto, pacote promocional e valor acessível. A mesma Nota permite divulgar convênios com instituições, universidades e clínicas.
Posso postar depoimento de paciente se ele autorizar?
Segundo a Nota Técnica, com consentimento expresso e por escrito, o uso de depoimentos e fotos é permitido, mas não recomendado, pelo risco de expor a pessoa atendida. Na prática, o caminho mais seguro é não usar.
Posso fazer sorteio ou cupom para atrair pacientes?
Não. A Nota Técnica do CFP diz que não é permitido o uso de cupons promocionais e sorteios na divulgação de serviços psicológicos.
Posso usar um apelido ou uma logomarca no perfil?
Pode. A Nota permite apelidos e logomarcas, desde que o perfil mostre o nome completo ou nome social, a palavra "psicóloga" ou "psicólogo", o CRP e o número de registro.
Se você quer pensar o seu conteúdo com calma, com ética como base e não como rodapé, temos uma trilha toda sobre isso na comunidade.
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Empreendedora e fundadora da Comunidade Supernova. Dezessete anos de estratégia no corporativo antes de atravessar para o empreender.





